quinta-feira, 24 de maio de 2012
A Liderança segundo Maquiavel - prefácio
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Maquiavel, por Olavo de Carvalho
Ficha Técnica: Maquiavel ou a Confusão Demoníaca
Autor: Olavo Luiz Pimentel de Carvalho
Campinas, Vide Editorial, 2011
Colaboração:Rodney Eloy
quinta-feira, 5 de maio de 2011
O Príncipe revisitado: Maquiavel e o mundo empresarial
O Príncipe, escrito por Nicolau Maquiavel em 1513 e publicado postumamente em 1532, trata-se de um dos tratados políticos fundamentais elaborados pelo pensamento humano, e tem papel crucial na construção do conceito de Estado como conhecemos hoje. No mesmo estilo do Institutio Principis Christiani, de Erasmo de Rotterdam, o livro descreve as maneiras de conduzir-se aos negócios públicos internos e externos e, fundamentalmente, como conquistar e manter um principado.
Luis Roberto Antonik é mestre em gestão Empresarial pela Escola Brasileira de Administração Pública “Ebap”, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Graduado em Geografia, Ciências Econômicas, e Administração. Especialista em Administração e Finanças. Pró-reitor, professor de graduação e pós-graduação da Unifae. Ex- diretor de planejamento empresarial da Telepar (atual Brasil telecom), Telebrás e Telefônica. Ex-diretor executivo do grupo Tim no Brasil, diretor de assuntos institucionais da RPC e diretor geral da Associação Brasileira das emissoras de Rádio e televisão “Abert”.
Aderbal Nicolas Muller é doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e mestre em Ciências Sociais Aplicadas pelo centro Católico do Sudoeste do Paraná (Unics). Especialista em Administração e Finanças pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino FAE (Unifae), em Curitiba, Paraná. Graduado em Ciências Contábeis pela FAE Business School. É autor dos livros Auditoria das organizações (Atlas, 2001), Auditoria integral (Juruá, 2005), Contabilidade básica (Pearson, 2006), Manual da nota fiscal eletrônica (Juruá, 2007), Cálculos periciais (Juruá, 2007), Análise financeira (Atlas, 2008) e Contabilidade avançada e internacional (Saraiva, 2009).
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
SOMOS MAQUIAVELICOS - O QUE MAQUIAVEL NOS ENSINOU SOBRE A NATUREZA HUMANA
Sinopse
Ficha Técnica
ISBN: 8539001799
ISBN13: 9788539001798
Edição: 1ª Edição - 2011
Número de Páginas: 256
Acabamento: BROCHURA
Formato: 14,00 x 21,00 cm.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Livro : Comentários À “primeira Década” de Tito Lívio - Maquiavel
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Os Ossos de Deus - Leonardo Gori
Sinopse
ISBN: 9788576655480
Formato: 23 x 16 cm.
Encadernação: Tapa rústica
Selo: Planeta
Nº de Edição: 1
Publicação: Setembro 2010
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Vita di Castruccio Castracani
Na obra, Vita di Castruccio Castracani (1281-1328), senhor e duque de Lucca, Maquiavel segue o padrão da Vida de Tamerlão para transmitir um grandissimo exemplo, o mito do herói político cuja criação de ordem social manifesta uma força para além do bem e do mal. A ênfase na crueldade de Castruccio sugere que a ordem política depende de um poder intramundano. Os materiais históricos são deformados de modo a criar a imagem de um fundador de um stato, mas cuja virtú foi frustrada pela fortuna. A fortuna procede como quer; é ela, não a prudenza, que confere a grandeza. E contudo, diferentemente do que Maquiavel escreve, Castruccio não era um esposito, uma criança abandonada, mas um descendente de aristocratas de Lucca; não era solteiro pois casou e teve filhos; era um pro-vigário imperial, não propriamente um patriota; Enfim, as teorias militares de Castruccio coincidem estranhamente com as de Maquiavel.Disponível no dominino público clique aqui
domingo, 5 de setembro de 2010
Livro:OS FILÓSOFOS DA POLÍTICA:IDADE MÉDIA E RENASCIMENTO
SUMÁRIOI – A Filosofia na Grécia, depois de Sócrates, Platão e Aristóteles
. Epícuro e os Epicuristas
. Antístenes e a Escola Cínica
II – Sai a “polis”, entra o Império
. Direito, o legado de Roma
. Cícero e Sêneca
. Patrística, doutores e santos
III – Tomás de Aquino, a razão e a fé
IV – Maquiavel, uma teoria para a política. Europa, um mundo em transição
. Filósofo, cientista ou diletante?
. A obra maldita
. A Esfinge e seu julgamento
. O homem e a obra: um Balanço
Apêndice
. A “regra de ouro” dos Epicuristas
. O Método Tomista, teses e questões
. A lógica de ferro de Nicolau Maquiavel
Referências Bibliográficas
sábado, 24 de julho de 2010
Livro - O PRÍNCIPE DE MAQUIAVEL E SEUS LEITORES
Apreender a principal obra de Maquiavel como texto. Esta perspectiva leva Arnaldo a Cortina a analisar os mecanismos intra e interdiscursivos que operam nas leituras d'O príncipe. Partindo do contexto do aparecimento da obra e da apresentação dos recursos argumentativos que a estruturam, Cortina passa em revista os diferentes procedimentos que possibilitam múltiplas interpretações de um texto para demonstrar como eles podem abranger a trajetória de um dos grandes clássicos da filosofia política.
ORELHAS:
O príncipe de Maquiavel e seus leitores. Uma investigação sobre o processo de leitura é o resultado de preocupações distintas: de professor, sempre atento à questão pedagógica leitura na escola; de pesquisador, consciente de que a prática deve estar sempre acompanhada da reflexão teórica. O livro toma, assim, dois caminhos que se cruzam, se encontram e se juntam: no primeiro, discutem-se questões de leitura - modalidades, procedimentos, perspectivas, formas, relações com a tipologia de textos -; no segundo, examinam-se O príncipe de Nicolau Maquiavel e as várias leituras que dele foram feitas em diferentes momentos históricos. A finalidade do estudo, muito bem alcançada, é mostrar que um mesmo texto pode dar margem a leituras distintas tanto pelas determinações e possibilidades do próprio texto quanto pelas condições sócio-históricas nas quais se faz a leitura, e que, em conseqüência, o processo de leitura depende
também das duas ordens de coerções, estruturais e históricas. De interesse para um público diversificado - professores, lingüistas, estudiosos da literatura, sociólogos ou comunicadores, entre outros -, o livro de Arnaldo Cortina tem a atração dos grandes temas e autores escolhidos, mas, especialmente, o encanto de um texto em que se aliam com coerência e consistência o pano de fundo teórico, as análises efetuadas e os resultados alcançados. Diana Luz Pessoa de Barros
Quarta capa
O propósito deste livro é discutir a questão do procedimento de leitura. Partindo da problemática da interpretação e compreensão, pretende refletir sobre diferentes perspectivas teóricas que possam contribuir para o seu melhor entendimento. Para amparar essa discussão, toma o texto O príncipe, de Nicolau Maquiavel, e observa como se construíram suas diferentes leituras ao longo da história, recuperando o contexto sócio-histórico em que a obra foi escrita e examinando sua organização discursiva, para, em seguida, procurar compreender os diferentes mecanismos interpretativos desencadeados por vários de seus leitores.
Sobre o autor
ARNALDO CORTINA nasceu em Jundiaí - SP, em 1956. Graduou-se em Letras, descobrindo aí a Lingüística e, conseqüentemente, o trabalho com a linguagem no estudo de texto. Concluiu o mestrado, em 1988, e o doutorado, em 1994, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Iniciou sua carreira no ensino universitário em 1987, no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (UNESP), Câmpus de São José do Rio Preto. A partir de 1996, transferiu-se para a Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, Câmpus de Araraquara, onde atua no ensino de graduação e de pós-graduação.
Apresentação
Introdução
1 Determinações sobre o processo de leitura
1 Leitura e enunciação
2 Leitura e interpretação
3 discutindo a noção de contexto
4 Três perspectivas de leitura
5 Formas de leitura
6 Duas leituras de O príncipe de Nicolau Maquiavel?
7 Três modalidades da leitura
8 A leitura como conhecimento enciclopédico
9 Dois aspectos da leitura: descontextualização e intertextualidade
2 tipologia de texto e leitura
1 Tipologia de texto segundo a perspectiva da semiótica francesa
2 Tipologia de texto segundo a perspectiva da análise do discurso francesa
3 Tipologia de texto segundo a perspectiva da lingüística textual
4 Reflexões sobre as diferentes propostas de tipologia de texto, relacionando
determinados aspectos com O príncipe de Maquiavel
5 Para uma tipologia do discurso
6 Modalidades de leitura e tipologia de texto
3 As condições históricas do aparecimento de O príncipe e sua organização discursiva
1 Recuo no tempo. Reconstituição do contexto histórico em que Maquiavel viveu e
escreveu O príncipe
2 Revisitando o Renascimento
2.1 Organização socioeconômica das cidades italianas durante o Renascimento. O caso de
Florença
2.2 Um perfil do homem do Renascimento
3 Um olhar sobre O príncipe
3.1 A organização de O príncipe de Nicolau Maquiavel
3.2 A narratividade de O príncipe. O manual de instrução e a construção do objeto-valor
3.3 Recursos lingüísticos utilizados na construção do discurso de O príncipe. A
argumentação e os recursos retóricos
4 As várias leituras de O príncipe: da Renascença até nossos dias
1 Nicolau Maquiavel comenta O príncipe
2 A leitura da Igreja Católica, durante o Concílio de Trento
3 A leitura de Frederico II da Prússia em seu Anti-Maquiavel
4 A leitura de rousseau em O contrato social
5 A leitura que Napoleão Bonaparte faz de O príncipe
6 Benito Mussolini lê O príncipe de Maquiavel
7 Como Antonio Gramsci lê O príncipe
8 Outras leituras de O príncipe
9 As leituras de O príncipe no Brasil
Pode ser adquirido também no dominio público clique aqui
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O Sorriso de Nicolau -Maurizio Viroli

“Nicolau, assim, deixa a obscuridade e torna-se chefe da Segunda Chancelaria, onde eram tratados os problemas relativos ao domínio e à política externa de Florença. É um jovem desconhecido, inexperiente em política, mas já marcado pelos importantes acontecimentos que assistira, ou dos quais se recordava: os corpos dos Pazzi, arrastados pelas ruas de Florença ou enforcados nas janelas do Palazzo Vecchio; a entrada de Carlos VIII, que tornava evidente a debilidade de Florença e da Itália; o odor acre do corpo de Savonarola ardendo na Piazza della Signoria (...).”
Nicolau Maquiavel não foi unicamente o autor de O príncipe, isto é, da obra fundadora do pensamento político moderno. Era também uma personalidade complexa, inquieta, inclinada a viver as mais diversas experiências.
O pesquisador e professor da Universidade de Princeton Maurizio Viroli descortina nesta aprimorada biografia os encontros de Maquiavel com os poderosos, as amizades, os amores, as viagens, seus sucessos e suas derrotas.
No entorno da vida de Maquiavel descobrimos a Florença dos Medici, mas também as infindáveis intrigas palacianas dos Estados italianos do século XVI, século cheio de brilho mas rico em reviravoltas e golpes de teatro.
Trechos
Durante toda a vida, Nicolau empregou suas energias no intuito de convencer os poderosos da Itália a libertar o país do domínio dos estrangeiros que mandavam e desmandavam com seus exércitos. Todavia, poucas semanas antes de sua morte, cumpriu-se o último e mais grave ato de toda a tragédia italiana. Em 6 de maio de 1527, um exército formado por soldados da infantaria espanhola e pelos terríveis mercenários alemães, sob o comando do duque Carlos de Bourbon, tomou de assalto os muros de Roma. [...] Após poucas horas de combate, Roma caiu em poder dos espanhóis e dos mercenários. Os espanhóis estavam sedentos de violência e de despojos de guerra; os mercenários alemães, fervorosos protestantes, ávidos de violência, de despojos e de vingança contra os odiados católicos. É o saque de Roma. (p. 19)
O raciocínio era impecável. Maquiavel sabia, porém, que os florentinos, avarentos e pouco argutos, argumentariam que o rei da França estaria ali para protegê-los e que o perigo representado por César Bórgia fora afastado. Não haveria, assim, necessidade alguma de desembolsar mais dinheiro. Maquiavel explica que essa opinião era temerária, ´pois toda cidade e Estado deve considerar inimigo qualquer um que julgue poder ocupar o seu Estado e todo aquele contra o qual não seja possível defender-se´. Nenhum Estado que viva na dependência de um outro jamais estará em segurança. (p. 91)
Para Maquiavel, como sabemos, a política é feita pelos homens, com suas paixões, seu temperamento e suas fantasias. Para ele, era necessário, pois, compreender o espírito dos príncipes que encontrava, sondando profundamente suas almas, examinando por detrás de suas máscaras e simulações. Escreveu que ´a natureza fácil e boa´ fazia com que ele fosse facilmente enganado por qualquer um daqueles que o rodeavam. Um cortesão dissera a Maquiavel, entretanto, que qualquer homem poderia enganar o imperador, mas apenas uma vez. Nicolau retrucou dizendo que os homens e os problemas são tão inúmeros que, dessa maneira, o imperador poderia ser enganado a cada dia por um homem diferente. Não sabemos que efeito tal resposta causou ao cortesão, embora muitos soubessem que Maquiavel era um grande zombador. (p. 125)
Todos sabiam muito bem, continua Maquiavel, que o principal dever de qualquer príncipe é “evitar ser odiado ou desprezado”, seja pelos seus súditos, seja pelos seus aliados. Permanecer neutro entre dois combatentes significava, no entanto, a possibilidade de ser odiado e desprezado. Odiado por aquele que, entre os dois adversários, julgasse o príncipe (nesse caso particular, o papa) obrigado a estar a seu favor, ou em nome de uma antiga amizade, ou como pagamento de favores recebidos. E desprezado pelo outro contendor, que julgaria o príncipe tímido e indeciso, isto é, um “amigo inútil” ou um inimigo que não é capaz de infundir temor. (p. 209)
Qualquer um que procure refletir sobre tudo isso, escreve Maquiavel, não pode deixar de sentir dentro de si ódio pela tirania e um forte desejo de imitar os bons príncipes. Em outras palavras, aquele que realmente busca a verdadeira glória deveria procurar viver em uma cidade corrupta, não para arruiná-la ainda mais, como César, mas para reordená-la, como Rômulo. (p. 219)
[Maquiavel] despediu-se do mundo dizendo que preferia ir para o inferno em companhia dos grandes da antigüidade, para discutir sobre os grandes assuntos da política, a ir ao paraíso, para junto dos beatos e dos santos. Foi sua última pilhéria, contada para rir com os amigos do inferno e do paraíso, para que compreendessem que ele era sempre o mesmo “Machia”, e que nem mesmo a morte podia apagar aquele sorriso e petrificar seu rosto com a máscara do medo. (p. 295)
Fonte:Estacaoliberdade
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Maquiavel - política e retórica por Helton Adverse

Helton Adverse
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Resenha - Maquiavel de Quentin Skinner
Não se pense, contudo, que Maquiavel com seus escritos esteve somente sujeito às interpretações que justificam a malignidade. Nem mesmo que a secularização dos últimos tempos libertaram-no do opróbrio moralista. Ao lado das mais ferozes condenações, muitos procuraram com igual paixão regenerar sua imagem, apontando os objetivos democráticos do primeiro grande analista político da modernidade. Rousseau encabeça uma longa lista, cerrando fileiras contra aqueles que vêem em Maquiavel o inspirador da tirania, o mestre do mal.
Face a tantas e tão contraditórias interpretações que se desdobram sem cessar nestes quatro séculos, um fato se impõe: há algo muito forte em Maquiavel, capaz de gerar amor e ódio, e de provocar nos estudiosos das idéias a necessidade de decifrar o enigma proposto. Quentin Skinner se lança nesta aventura e para isso coloca-se no efício de historiador, cujo trabalho, afirma, "consiste seguramente em servir como um anjo que registra, não como um juiz que condena" (p. 134). Seu registro baseia-se num contraponto entre a vida e a obra de Maquiavel. Assim, busca demonstrar a influência da carreira diplomática e do posterior exílio forçado nos escritos do autor renascentista.
A experiência na chancelaria propiciaria a Maquiavel observar ativamente a arte de conduzir os negócios do Estado. Skinner sustenta que de sua prática como funcionário público, Maquiavel intuiu os princípios da arte de governar que exporia mais tarde nas suas obras históricas e políticas. Desta forma, suas missões junto ao rei Luís XII da França, a César Bórgia, ao papa Júlio II, ao imperador Maximiliano, indicaram-lhe os motivos da instabilidade dos governos. Em poucas palavras, a "debilidade básica que todos compartilhavam consistia em uma fatídica inflexibilidade diante da mudança das circunstâncias" (p. 31).
O confronto entre as circunstâncias e o modo de agir dos governantes ─ ou entre a Fortuna e a Virtu ─ compõe o cerne da análise maquiaveliana. Nesta análise, há uma clara rejeição da moralidade humanista convencional, quer a partir de uma crítica impenitente aos princípios consagrados pela tradição, quer a partir de um silêncio eloqüente. De uma forma ou de outra, Maquiavel provoca um verdadeiro cataclisma. O homem é visto como um sujeito da história, capaz, se virtuoso, de resistir aos golpes da Fortuna
A Virtu é a disposição de fazer tudo aquilo que for ditado pela necessidade ─ independente do fato de ser a ação eventualmente iníqua ou virtuosa ─ para alcançar os mais altos objetivos. Ora, denotando a Virtu a qualidade de flexibilidade moral, cai por terra a rígida oposição cristã entre os vícios e a virtude. Há vícios virtuosos, e há virtudes que trazem a ruína.
Skinner demonstra ainda uma profunda ligação entre as teses desenvolvidas por Maquiavel no Príncipe e nos Discursos, divergindo, sem contudo atacar explicitamente, dos intérpretes que julgam existir, se não duas formulações muito distintas ou mesmo contraditórias, pelo menos dois textos independentes. Skinner, ao contrário, julga que nos Discursos o mestre florentino retoma o Príncipe, aprofundando suas proposições. Trata-se, uma vez mais, do desenvolvimento dos argumentos que sustentarei a indispensabilidade da Virtu para resistir aos infortúnios da sorte.
Aqui, torna-se clara a defesa da liberdade e sua identificação com a grandeza de uma cidade. Roma antiga atingiu a glória porque a Virtu esteve disseminada entre governantes e governados, e porque suas leis garantiram que a corrupção não tivesse efeitos devastadores.
O estudo de Roma ─ tema central dos Discursos ─ onde a liberdade foi preservada por mais de 400 anos, não se esgota em si mesmo. Skinner sustenta que "existe uma contínua preocupação com o destino de Florença por trás da argumentação geral" (p. 110). Maquiavel compara com angústia a total corrupção de sua cidade natal e a Virtu exemplar do mundo antigo. Sua Itália entregara-se à escravidão, a corrupção com sua influência maligna sufocou as liberdades, levando à tirania e à desgraça. Maquiavel, o amante da liberdade, o analista de situações, acreditava firmemente que este quadro poderia ser alterado. Afinal, a fortuna só manifesta sua força quando não encontra homens de coragem, cidadãos de Virtu.
Maquiavel, de Skinner, é uma importante contribuição para a leitura, dos escritos do autor renascentista. Mas, talvez, sua mais irresistível qualidade esteja no, fato de sugerir que Maquiavel continua aí para ser decifrado. Trata-se de um desafio que se renova a cada leitura.
Fonte:Maquiavel de Quentin Skinner São Paulo: Editora Brasiliense, 1988 por Maria Tereza Sadek
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O GOVERNO MISTO
A Roma republicana também teve a virtude do equilíbrio
De início, os cônsules e os senadores representavam a mistura da monarquia e a aristocracia, mas, com o tempo, as desavenças entre patrícios e plebeus fizeram com que aqueles cedessem para não perder tudo devido ao ressentimento do povo. Surgiram então os tribunos da plebe, instituição representativa do governo popular. É Maquiavel quem diz: "A sorte favoreceu Roma de tal modo que, embora tenha passado da monarquia à aristocracia e ao governo popular, seguindo a degradação provocada pelas causas que estudamos, o poder real não cedeu toda a sua autoridade para os aristocratas, nem o poder destes foi todo transferido para o povo. 0 equilíbrio dos três poderes fez, assim, com que nascesse uma república perfeita". Maquiavel reitera essa posição quando nota que, no seu tempo, a república de Veneza e a monarquia inglesa são estáveis porque têm um governo misto. Os governos simples, ao contrário, são "pestíferos" peia breve duração. Por isso, defende a reforma do Estado de Florença em um texto enviado a Leão X, propondo a seguinte divisão:
-Um governo vitalício de 65 cidadãos, entre os quais é escolhido o gonfaloneiro;
-Um Senado composto de duzentos membros, o Conselho dos Escolhidos;
-Um Conselho Popular constituído de seiscentos a mil cidadãos.
Fonte: Maquiavel - a lógica da força, Ed. Moderna, 1993, pág. 71 e 73
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
MULTIDÃO E CONSELHEIROS
Mas o povo pode se enganar. "O povo só pode enfrentar o engano a que é induzido pelos homens ou pelos acontecimentos se tiver a sorte de encontrar alguém que seja sábio e confiável para esclarecê-lo sobre o que é bom e o que é mau (Discorsi, I, 53: 134) Sob o domínio das paixões, a massa pode produzir grandes tumultos e desordens; porém, torna-se fácil contê-la, pois, como age sob impulso, basta proteger-se de sua primeira arremetida que os ânimos logo se arrefecem e ela perde a confiança na sua própria força. Para Maquiavel a multidão precisa de conselheiros para distinguir a verdade da aparência enganosa, e de um chefe para dirigi-la ou comandá-la na ação, dada sua incapacidade de autodisciplina e auto-organização. Maquiavel intuiu a necessidade de uma participação ativa do povo na vida político-social, mas está longe de Ter tirado dessa premissas todas as implicações que deveriam logicamente decorrer delas. Mas, com certeza, a explicação mais plausível para as flutuações na avaliação das qualidades populares deve ser buscada nas razões apresentadas pelo próprio autor: na diferença que ele estabelece entre uma multidão solta, sem freio, e a multidão regulada pelas leis, como a romana. (Discorsi, I, 58: 141)
Fonte:Maquiavel, Lídia Maria Rodrigo, Ed. Vozes, 2002, p. 105 e 106
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Livro - Maquiavel o Poder: História e Marketing

Esse livro é um marco na abordagem de Maquiavel e do próprio marketing político no Brasil.
Lançado no Recife, em 1991, em edição do autor, despertou atenção e foi objeto de uma crítica amplamente favorável na imprensa nacional. Em seguida foi lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e na Feira Internacional do Livro, em Frankfourt, Alemanha.
Após o lançamento da segunda edição, pela Editora Martin Claret, em dezembro de 1999, MAQUIAVEL O PODER esteve em todas as listas de livros mais vendidos do País.
Depois de sucessivas edições, o livro passou, a partir de 2004, a integrar a coleção A OBRA PRIMA DE CADA AUTOR, da Martin Claret, em formado de bolso.
MAQUIAVEL O PODER é o único livro de autor vivo a integrar a coleção, que reúne os maiores clássicos, nacionais e estrangeiros, nos campos da ficção e não ficção.
O prefácio é do atual senador e ex-ministro Cristovam Buarque (na época Cristovam era reitor da Universidade de Brasília) e a apresentação é da jornalista e historiadora Leda Rivas.
Fonte:Nicolau Maquiavel
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Maquiavel para Mulheres: a Princesa

Fonte: Submarino
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Livro - Maquiavel No Inferno - Sebastian De Grazia

quinta-feira, 4 de junho de 2009
Paul Larivaille: a Itália de Maquiavel
Em sua obra, o francês contextualiza o pensamento maquiavélico, trazendo à tona - e explicando - o mundo que gerou o autor de O Príncipe, o fundador da ciência política
por Rodrigo Cavalcante
O italiano Nicolau Maquiavel não viveu muito. Nasceu em 1469 e morreu em 1527. Em pouco mais de meio século de existência, no entanto, revolucionou o pensamento político. Ele olhou para o mundo a sua volta e criou uma nova ciência, a ciência política. Quando Maquiavel tinha 17 anos, Botticelli acabava de pintar o Nascimento de Vênus. Quando fez 23, Cristóvão Colombo descobria a América. Aos 37, Leonardo Da Vinci finalizava a Monaliza. Quando completou 34, Michelangelo acabava seu Davi. Além de todos esses gênios serem italianos, como Maquiavel, tinham outra coisa em comum: eram financiados por banqueiros como os Medici, cujas filiais se espalhavam de Veneza a Londres, no início do que viria a ser chamado, cinco séculos depois, de economia global.
Por trás dessa Itália renascentista, porém, escondia-se outra península, marcada pela violência, corrupção, assassinatos políticos e escândalos sexuais envolvendo até papas. Sem levar em conta a turbulência do período, não há como entender a natureza dos conselhos de Maquiavel em O Príncipe – clássico do pensamento político ocidental. Fora de contexto, a obra, espécie de manual realista de auto-ajuda para governantes, parece cruel – ou “maquiavélica”, termo que virou sinônimo de qualquer trama ardilosa para se atingir um objetivo. Poucos se dão conta de que durante a vida de Maquiavel a própria Itália não existia. E esse é o tema do livro A Itália no Tempo de Maquiavel, do pensador político francês Paul Larivaille.
Em 1469, data do nascimento de Nicolau Maquiavel, a Itália ainda não era um país, mas um aglomerado de Estados, com tamanhos diferentes, formas de governos distintas e até culturalmente diversos. Cinco grandes Estados ditavam os destinos da península: o Reino de Nápoles, os Estados Pontifícios (que englobavam Roma), o Ducado de Milão, a República de Veneza e o Estado Florentino, onde nasceu o pensador político. Em torno dessas potências, aglutinavam-se Estados menores. Essa falta de unidade provocava um clima de insegurança na região. As quedas de governos eram comuns e, como nenhum dos governos tinha força suficiente para subjugar os demais em torno de um poder único, a península terminava sendo presa fácil para potências como a Espanha e a França – essa última invadiu Florença, em 1494. Para piorar a situação, os exércitos constituíam-se por mercenários corruptos.
Mas se a Itália não era um país, como então falar de uma Itália no tempo de Maquiavel? Segundo o historiador Paul Larivaille, os povos da península, apesar das diferenças, compartilhavam de um passado comum: eram os herdeiros da civilização romana, considerada fonte de cultura e arte de viver. Na época, prevalecia o sentimento de que para reviver o legado de Roma bastava apenas libertar a criatividade de pensadores e artistas das amarras do “sono medieval”. Para tal tarefa, entrou em cena a nova elite de mercadores e banqueiros. As companhias florentinas do século 15 encarnaram o papel de financiadoras da arte. De acordo com o diário de um viajante, em 1472, a cidade já tinha 33 bancos “com balcão e tapete no exterior que efetuam operações tanto de câmbio quanto comerciais”. Algumas dessas companhias, como as que pertenciam à família Medici, firmaram sua reputação com agências em cidades como Roma, Londres, Veneza e Avignon.
Inicialmente, tais bancos surgiram para facilitar as transações comerciais que envolviam moedas diferentes, lucrando com a taxa de câmbio. Mas rapidamente perceberam que podiam lucrar mais participando do comércio e financiando empreendimentos internacionais. O negócio funcionava assim: se um mercador quisesse fazer uma viagem comercial à Índia, por exemplo, a companhia levantava o capital, dividindo o valor em cotas. Caso a viagem fosse bem-sucedida, os donos das cotas não apenas recuperavam o investimento, como ficavam com três quartos dos ganhos. Em meio às turbulentas epopéias marítimas da época, quando navios eram expostos a intempéries climáticas e à cobiça dos piratas, tratava-se de um investimento de risco. Para compensar os riscos, companhias como a dos Medici, engrossavam o patrimônio com negócios sólidos, como imóveis e indústrias. E, para perpetuar seu nome, as famílias começaram a investir, também, em arte.
Artistas e mecenas
Na Idade Média, não existia diferença entre arte e artesanato. Isso só mudou quando os ricos passaram a disputar o trabalho dos mais talentosos profissionais da época. Com o patrocínio da nobreza italiana, muitos pintores desvencilharam-se de obrigações menores para se concentrar em sua obra. O resultado foi a ascensão de nomes como Brunelleschi, Rafael, Donatello, Botticelli, Leonardo Da Vinci e Michelangelo, fazendo surgir dois novos personagens na sociedade: o mecenas e o artista. Em 1470, a cidade de Florença, por exemplo, contava com 31 ateliês de pintores, 26 de escultores e mais de 30 oficinas de ourives – número igual ao de casas bancárias. É verdade que até a primeira metade do século 15, eram poucos os artistas tratados com distinção.
Só na segunda metade do século 15 os artistas, de fato, alcançaram o posto de celebridades. Foi o caso de Botticelli (1445-1510). Sob a proteção dos Medici, ele criou um novo estilo: utilizava temas sagrados, como na tela Adoração dos Magos, mas representava os personagens com retratos de florentinos. Rafael (1423-1520) caiu nas graças da Igreja Romana e logo passou a ser admirado fora do Vaticano. Leonardo Da Vinci (1452-1519) conseguia inúmeras encomendas apesar da reputação de inconstante. Mas foi Michelangelo (1475-1564) o artista que melhor encarnou o momento. Mimado pelos Medici e pela Igreja, desprezava a amizade de príncipes e papas para se concentrar em sua arte “divina”. Um poder impensável para os artistas que o precederam.
Politicamente, a Itália de Maquiavel distinguia-se do resto da Europa. A norma eram monarquias em que reis representavam Deus na Terra. Mas, na maior parte da península (com exceção do reino de Nápoles e dos Estados Pontifícios), cidades-estados tinham regimes tão avançados que incluíam até repúblicas, como a de Florença, em que famílias tradicionais disputavam o poder. Só que, para conquistar tal poder, a família tinha de dominar os meandros de um sistema político complexo. Como os mandatos eleitorais variavam entre 2 e 4 meses, cerca de 150 pessoas revezavam-se no governo de uma cidade num único ano. A rotatividade, no entanto, não significava diversidade no comando. Só podiam votar ou se candidatar cidadãos abastados ou tradicionais. Além disso, sob a fachada de um regime democrático, o poder concentrava-se nas mãos das famílias poderosas , que interfeririam no processo eleitoral. O sucesso político dependia de sorte e astúcia para se esquivar das ardilosas conspirações, incluindo emboscadas e assassinatos em locais públicos.
Na Itália de Maquiavel, assassinatos e escândalos sexuais aconteciam até no Vaticano. Segundo Paul Johnson, os papas da Renascença eram vistos mais como príncipes pecadores do que como líderes espirituais. O papa Alexandre VI, por exemplo, teve uma vida tão devassa que promoveu o irmão de uma de suas amantes ao posto de cardeal. As conspirações articuladas por sua família, os Borgia, tornariam-se folclóricas. Alexandre VI casou e descasou sua filha Lucrécia Borgia para aumentar seu patrimônio e tramava envenenamentos em conluio com o filho, César Borgia. Os Medici também “elegeram” papas da família: em 1513, Giovano de Medici, filho de Lourenço de Medici, tornou-se Leão X, cujo pontificado seria marcado pela ascensão de familiares aos postos importantes do Vaticano. Apesar da bandalheira, a vaidade papal serviu de motor para a execução de alguns dos maiores monumentos artísticos da civilização ocidental, da Capela Sistina à Basílica de São Pedro. Se os próprios papas agiam como estadistas sem ética em busca do poder, como deveria agir um príncipe para manter-se soberano?
A política como ela é
Maquiavel é considerado o fundador da ciência política justamente por tentar responder a pergunta acima de maneira realista: em sua obra, ele trata o jogo do poder como ele é – e não como deveria ser. O florentino confrontou o idealismo de pensadores da Grécia antiga, como Aristóteles, e de filósofos medievais, como Santo Agostinho. Fez isso valendo-se de sua experiência na chancelaria da administração pública de Florença, onde o que viu era diferente do que lia. Concluiu que a política não era tarefa para idealistas. E, sim, para príncipes dotados de astúcia, sagacidade e violência. Segundo o ensaísta americano Isaiah Berlin, Maquiavel apenas escancarou o óbvio: a ética cristã da compaixão nem sempre era compatível com a ética do Estado. Ou seja: o soberano que quisesse manter a paz e proteger seu principado teria que agir como raposa. Tudo para enfrentar os caprichos da Fortuna, a deusa pagã representada por uma mulher girando uma enorme roda em que homens ora estavam em cima, ora em baixo: a roda da Fortuna.
No final de sua vida, ironicamente, a Fortuna quis que Nicolau Maquiavel não fosse reconhecido por seu trabalho. Por ter ocupado cargos na administração florentina no período em que os Medici haviam sido expulsos da cidade, ele perdera o seu posto na chancelaria assim que a poderosa família voltou ao poder, em 1512. A partir daí, viveu no campo. Pela manhã, jogava cartas com lenhadores e homens simples. À noite, trocava as roupas enlameadas pelos trajes oficiais e se dirigia ao gabinete de trabalho onde lia, escrevia e dizia encontrar-se “com os homens da Antigüidade”. Foi dessas “conversas” que nasceria o clássico O Príncipe. Dedicado a Lorenço de Medici, a obra nasceu de uma tentativa do pensador de voltar ao governo. Lourenço não entendeu o recado, e Maquiavel morreu, em 1527, longe do poder.
Livro
A Itália no Tempo de Maquiavel, Paul Larivaille, Companhia das Letras, 1991. R$ 44Fonte: Historia.abril
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Livro: Maquiavel da coleção Os Pensadores
O PRINCÍPE E ESCRITOS POLÍTICOS
Ed. Nova Cultural, São Paulo, 1991.
O período compreendido entre os últimos trinta anos do século XV e as três primeiras décadas do século XVI, época em que viveu Nicolau Maquiavel, é caracterizado pela decadência das cidades- estado italianas, sobretudo Florença. Renunciando as absrações a obra de Maquiavel consegue manter-se sempre próxima dos fatos e das situações concretas. Assim ele formula uma "arte de governar"até hoje viva e polêmica.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Livro Aplicando Maquiavel nodia-a-dia

Os mesmos conselhos dados por Maquiavel em sua época se prestam para que as pessoas da atualidade conquistem e mantenham seu "Estado", que pode estar representado por seu patrimônio, sua reputação, sua família, seu emprego ou cargo, por sua empresa, enfim, por tudo aquilo que há de valor na vida de cada um. Esta é uma obra que pode ser lida tanto por iniciantes como por aqueles que já conquistaram o seu "Estado", ou seja, por todos que não podem fugir das lides do real cotidiano, que precisam arregaçar as mangas e enfrentar a luta efetiva do dia-a-dia. Orelhas: Fernando César Gregório possui formação acadêmica em Engenharia e Direito.



