quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Amorim cita Maquiavel


É preciso criar “um cinturão de boa vontade entre o Brasil e seus vizinhos na América do Sul” e estendê-lo até a África, dentro do espírito proposto pela Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. A afirmação foi feita pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, durante o 2º Seminário Estratégia Nacional de Defesa: Política Industrial e Tecnológica, que aconteceu na quarta-feira (15), no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).



Durante o evento, promovido pela Frente Parlamentar de Defesa Nacional da Câmara e da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança, Celso Amorim apresentou um panorama da situação internacional, onde ele vê um processo de desconcentração do poder mundial, criando ambiente para o desenvolvimento de relações de cooperação e defesa, como por exemplo, no âmbito da América Latina, com o Mercosul, a Unasul e especialmente com a criação do Conselho de Defesa da Unasul.

“Apesar disso, devido à fluidez das relações internacionais, temos de estar preparados para uma eventual ameaça externa. A melhor maneira de se evitar isso é uma defesa forte, que possa causar danos sérios a um possível agressor”, disse o ministro da Defesa.

Para garantir esse projeto, seriam necessários meios aéreos, navais e terrestres, como prevê a Estratégia Nacional de Defesa. Amorim reforçou que a desconcentração de poder é positiva, mas que ao mesmo tempo oferece desafios e dificuldades para o país. O que leva o Ministério da Defesa a priorizar a pesquisa tecnológica independente e nacional, em todas as esferas, além do esforço de recuperação da indústria brasileira de defesa, em linha com o Plano Brasil, lançado pela presidente Dilma Rousseff.

Citando um trecho de O príncipe, de Nicolau Maquiavel, o ministro lembrou que os governantes devem usar o período de paz para se preparar para um possível conflito. “Essa preparação, inclusive, pode evitar possíveis adversidades. Nenhum país soberano delega sua defesa a terceiros”, enfatizou Amorim.

O seminário aconteceu um dia depois da aprovação, por unanimidade, da Medida Provisória 544, que cria um regime tributário especial para a indústria de defesa nacional (Retid) e institui normas específicas para a licitação de produtos e sistemas de defesa. A matéria, aprovada na forma de um projeto de lei de conversão, ainda será analisada pelo Senado. A MP exigirá regulamentação adequada e investimento estatal de apoio a empresas que não se transformem depois em empresas estrangeiras e que o capital estatal investido não escape ao controle nacional.

Entre os presentes no evento, também estavam o ministro Marco Antonio Raupp, da Ciência, Tecnologia e Inovação, e os chefes dos Estados-Maiores do Exército, Aeronáutica e da Marinha do Brasil. Deputados e senadores da Frente Parlamentar de Defesa Nacional e oficiais das Forças Armadas também compareceram.

A Estratégia Nacional de Defesa (END)

A Estratégia Nacional de Defesa foi formulada em 2008, e as medidas previstas na MP estão alinhadas com o Plano Brasil Maior, que tem como objetivo aumentar a competitividade da indústria nacional. Ela está organizada em três eixos estruturantes: o primeiro diz respeito à organização e à orientação das Forças Armadas para melhor desempenharem sua destinação constitucional e suas atribuições na paz e na guerra. O segundo refere-se à reorganização da indústria nacional de material de defesa, para assegurar que o atendimento das necessidades de equipamento das Forças Armadas se apoie em tecnologias sob domínio nacional. E o terceiro versa sobre a composição dos efetivos das Forças Armadas e sobre o futuro do Serviço Militar Obrigatório.

Para a aplicação prática desta estratégia, cada uma das Forças Armadas estabeleceu seu Plano de Articulação de Equipamentos de Defesa, onde se estabeleceria a recuperação, aquisição e produção de produtos de defesa com o necessário fortalecimento da indústria nacional de defesa.

O recém-nomeado ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, integrante da mesa, afirmou que o desenvolvimento científico e tecnológico do país precisa estar associado à soberania nacional. Ele lembrou que o ministério desenvolve projetos em conjunto com o setor de defesa, que receberam investimentos de R$ 1,5 bilhão em 2010 e 2011.

Raupp disse também que espera um aumento significativo dessa colaboração ao longo dos próximos anos. “Quase 50% das nossas atividades estão previstas na Estratégia Nacional de Defesa”, declarou.

Com informações de Pedro de Oliveira, de Brasília


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Marco Antonio Villa, o maquiavel mequetrefe


Um artigo esdrúxulo artigo foi publicado pelo historiador Marco Antonio Villa no Estadão no sábado (28/01). Para argumentar que a oposição está sem rumo, inicia por dizer que FHC faz uma análise “absolutamente equivocada da conjuntura brasileira”. Não é que o professor discorda disso ou daquilo, contrapondo opiniões, o que seria normal. Não. Ele acha que FHC não entende “absolutamente” nada da política nacional. Que empáfia!
Eu li e fiquei pensando: mas que pretensão exagerada. Quem é esse iluminado, um fenômeno acadêmico, um sabichão, que simplesmente zera a capacidade de análise política de FHC, coisa que nem seus maiores adversários ousam fazer?
Para provar que FHC nunca foi bom na política, o vaidoso professor arrola 6 episódios históricos. Pois eu estive presente, ao lado de FHC, em todos eles. E posso afirmar, e provar com documentos e depoimentos, que todas as interpretações oferecidas no artigo estão maldosamente equivocadas. Eu desafio o professor Villa para um debate público sobre aqueles episódios para ver se ele sustenta as bobagens que escreveu.
Ao criticar a oposição, e especialmente o PSDB, o pedante professor enfrenta a situação, taxada por ele como uma “cruel associação do grande capital com os setores miseráveis”, que periga se perpetuar no poder. Quer dizer, o homem é contra o governo do PT. Conclusão: mais que o famoso “fogo amigo” da política, o arrogante historiador se coloca acima do bem e do mal, posa de conselheiro do rei.
Essa espécie de Maquiavel mequetrefe não percebe, em seus delírios intelectuais, que sua mente está impregnada das velhas idéias da política, formuladas no século passado sob o dogma da dualidade que opõe a esquerda com a direita, a situação contra oposição, o povo contra as elites, utilizadas até hoje, é verdade, pelos últimos populistas, ou autoritários, que vivem de iludir e mandar no povo. Mas eles desaparecerão.
Tal referencial de análise está ultrapassado pelo fim das ideologias totalizantes, pela globalização da economia, pela crise ambiental, pela luta em favor da diversidade humana, pela defesa da paz e da tolerância, contra a violência e as drogas, pela ascensão das classes sociais, pelas modernas formas de comunicação determinadas nas redes sociais via internet. A democracia e o sistema republicano, incluindo os partidos, precisam se renovar, se abrir, para capturar a demanda que brota da juventude na era digital.
É por aqui, pelos caminhos dessa nova agenda imposta à reflexão na civilização humana, que perpassa o pensamento de FHC, mesmo quando analisa a realidade política brasileira. Por isso que o professor Marco Antonio Villa, contaminado pelos vícios do passado, não consegue entender nada, e escreve besteira. Paciência.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Greve policial na Bahia e os ciclos da história


Para o filósofo inglês Thomas Hobbes, “a função do Estado era, sobretudo, promover a segurança e o direito de vida dos seus membros, para que todos pudessem progredir em paz”. Nessa lógica, com certeza, se vivo estivesse, não hesitaria, em declarar a falência do governo.
Pensando em Hobbes e observando as articulações pelas redes sociais sobre uma possível paralisação da PM baiana no carnaval, tomei conhecimento de uma manifestação promovida por um grupo de mães e familiares de policiais mortos em serviço, no início da tarde da última quarta-feira (18), em frente ao Ministério Público, e lembrei-me do movimento “Panelas Vazias” protagonizado por esposas de policiais militares mineiros que, batendo panelas, fazendo orações e gritando palavras de ordem diante do quartel do Comando Geral, chamando atenção para o estado de coisas que, anos depois, redundaria no grande motim dos integrantes daquela corporação. 
Embora a crise que incendiou o país no final da década de 90 tenha tido a sua gênese na Polícia Militar de Minas Gerais, não custa lembrar que, ainda no tempo em que rebeliões, motins, paralisações, greves e outros movimentos reivindicatórios promovidos por militares eram considerados inconcebíveis e passíveis de responsabilização com base na Lei de Segurança Nacional, foi na Bahia, em 1981, que se inaugurou o ciclo de paralisações do policiamento ostensivo como estandarte tático para a ação reivindicatória dos policiais militares brasileiros.
Acostumados a reprimir protestos, essa categoria especial de servidores militares, especialistas no controle de distúrbios civis e do espaço público, ao se apropriar da greve, sem abandonar as características castrenses que lhes revela identidade, marcou a história das corporações, inaugurando um novo meio de ação coletiva da massa policial militar: um conflito aberto com armas.
Decorridos 15 anos da eclosão do grande motim, movimentos isolados desta natureza já se tornaram rotina nas polícias e corpos de bombeiros militares brasileiros, pois a ausência de uma política que atenda aos anseios de uma categoria funcional privada do direito de sindicalização e de greve, aliada ao descaso com que os governos, federal e estadual, tratam da questão, contribui para reforçar-lhes a importância vez que os êxitos obtidos, ainda que parciais, servem de exemplo para que outras instituições procedam da mesma forma.
Inegavelmente, tais episódios revelaram um rompimento dos laços de solidariedade corporativa na relação entre oficiais e praças nas corporações militares estaduais, mas, paralelamente, indicaram um fortalecimento interno no ciclo dos subtenentes, sargentos, cabos e soldados gerando desconfianças, divisões e discórdias que, ao serem, convenientemente, exploradas pelos governantes de plantão, evidenciam a necessidade da construção de alianças estratégicas que embasem um sistema representativo para a categoria que alie a farda à política.
Os exemplos recentes de vários estados nordestinos e as movimentações de milicianos baianos nas redes sociais indicam que, com os problemas salariais e estruturais dessas instituições permanecendo inalterados, a tendência é que as paralisações se repitam em determinados intervalos de tempo, quando a situação ficar insustentável e, inegavelmente, com a maior parcela de responsabilidade debitada aos governos que, mesmo de forma indireta, fomentam a proliferação de movimentos desta natureza.
A experiência histórica dos protestos de militares estaduais nos faz refletir que, nesta pós-modernidade, urge a consolidação do paradigma do soldado-cidadão, donde emerge a necessidade de um diálogo permanente e aberto entre a cultura policial militar, lastreada na hierarquia e na disciplina, e a cultura política relacionada à democratização. A greve de policiais, pelo desgaste social que sempre acarreta e pelos efeitos negativos que pode provocar, não deve se tornar um mero instrumento de promoção pessoal de lideranças sequiosas por construir uma plataforma político partidária, principalmente, em ano eleitoral.
Nicolau Maquiavel (fundador do pensamento e da ciência política modernos) dizia que a história é cíclica, ou seja, se repete. Nesse sentido, o que acontece hoje já aconteceu outrora e possivelmente acontecerá novamente. Assim, nos resta o aprendizado para reescrever a história ou para conviver com a revolta que, entre nós, por causas complexas: “Volta sempre a enfeitiçar com seus mesmos tristes velhos fatos que num álbum de retrato eu teimo em colecionar”.
Depois de 500 anos, Thomas Hobbes nunca foi tão atual, pois, enquanto o sistema político não investir seriamente na segurança pública e não parar de apostar na passividade da tropa e na força dos regramentos disciplinares e penais para fugir das suas responsabilidades, continuaremos a conviver com a volta ao estado de natureza em que imperava a guerra do homem contra o homem e, pior, com os nossos guardiões em permanente “estado de greve”, o que no jargão classista significa que a espada de Dâmocles paira sobre o fio que separa a atividade, da paralisação.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Amado ou temido?

Para o Príncipe, título do mais famoso livro de Nicolau Maquiavel, “é melhor ser amado ou ser temido”?

Esta é uma das mais conhecidas indagações de Maquiavel, a qual ele responde: "...bem, a primeira alternativa é a ideal, sobretudo quando está associado ao respeito por parte dos súditos. Mas ser temido é mais seguro, ainda mais um príncipe novo, que não pode seguir todos os preceitos a que são obrigados os homens considerados de bem. Deve-se saber enveredar pela trilha do mal, se isso lhe for conveniente, ainda que sem esquecer de manter as aparências. Existem crueldades bem praticadas...”

Mas por pensar assim, Maquiavel foi acusado de ingenuidade política ao exprimir suas idéias de forma tão clara, numa circunstância em que o feitiço acabou virando contra o feiticeiro e manchando sua reputação.

Uma coisa importante de Maquiavel seria uma conduta moderada e racional do ponto de vista da adequação entre fins (objetivos) a atingir e os meios para tal.

Para a conquista e preservação do poder, o Príncipe precisa de um conjunto de meios: a esperteza da raposa para evitar os laços; a força do leão para amedrontar os ursos; o talento para a dissimulação, a piedade convenientemente dosada; e, o domínio da arte da guerra e as grandes obras que dão popularidade.

É por isso que muitos mortais enchem a boca e dizem em alto e bom som: “sou maquiavélico”, todavia, de maneira bronca, pejorativa, xucra, e, quiçá, ingênua.

No entanto, para quem está na política, é preciso saber disso tudo, claramente, pois, ampliar o poder político decisório é algo natural no político e no seu grupo político, porém, para ser mais que respeitado na vida política e social, ser franco é ser diplomata, ou seja, saber dizer o não ou o sim na hora “H”, sem ser desagradável ou mesquinho, o que garante credibilidade e legitimidade ao postulante da coisa pública.

Nesse jogo político duro entre aqueles que renegam o lucro, mas que querem preservar seus interesses privados, há que se buscar um novo maquiavelismo político, um novo político que em tese já existia na literatura maquiavélica, apenas estava repousando, que é o exemplo da virtude, da educação, das boas leis, da escolha dos seus "conselheiros" e da segurança aos anseios mais universais como a propriedade, a liberdade de expressão e o reforço à democracia. Tudo isto mantido dentro da maior eficácia da ação do “governante”, que para o mesmo ganhar a guerra, ainda, é uma estratégia eficaz para calar as críticas.

O novo Príncipe terá que impor sua vontade no interior de uma relação social contra todas as resistências. A diferença do antigo para o novo é que o primeiro usava da força para conseguir seus objetivos; já o segundo se expressa de diversas maneiras, onde a corrupção é a mais utilizada para os mais despreparados de formação.

Tchá por Deus, vive de chá co bolo de "Rei" só in festa de Santo é poco demás...

Aos "Príncipes Brasileiros" urge a atuação política no sentido da conscientização de que quem muda uma Nação são as elites livres e responsáveis. Livres de ideologias terceiro-mundistas e responsáveis pela “saúde” do povo.



*ERNANI LÚCIO PINTO DE SOUZA é economista do escritório de economia Paradigma Estudos e Pesquisas, associado da Aprocecon, vice-conselheiro do Corecon-MT e técnico licenciado da UFMT.

*EDSON LUIS LINO JORGE DA SILVA é economista, técnico da UFMT e Ms. em Administração Pública pela UFSC



Fonte:Diariodecuiaba

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Os livros que marcaram a vida de Fernando Capez

"É preciso ter um mundo interior. Não adianta ter dinheiro se você vai aos lugares e não consegue entender nada do que está se passando. É preciso ter cultura e entender o contexto.” O mundo interior a que se refere o deputado Fernando Capez é alimentado por livros e mais livros, muitos deles relacionados à história, assunto pelo qual ele se diz fascinado. Isso porque o ajuda a compreender a mundo a sua volta e os mundos aos quais ele não participou.
O atual deputado estadual Fernando Capez (PSDB), iniciou sua carreira como promotor de Justiça. Ele atuou também como professor durante 18 anos no Complexo Jurídico Damásio de Jesus e na Escola Superior do Ministério Público de São Paulo. Tem 24 livros publicados, principalmente na área de Direito Penal e Processo Penal.

Primeiros livros
Aqueles livros enormes, conhecidos como enciclopédias, que estão caindo em desuso e geralmente só eram abertos para pesquisar trabalhos escolares, eram objetos de desejo de Capez quando criança. “Esse foi meu primeiro contato com a leitura: os livros de história do colégio, o estudo de uma coleção que meu pai comprou nos anos 70, que era o Conhecer. Eu lia muito enciclopédias. Tinha a opção de ler um romance e um livro de história com dados”.
Os livros para Capez eram como um portal para mundos distantes, outros tempos e cenários. Foi por meio da obra O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, que ele pôde ir à Florença de sua imaginação. “Eu queria voltar para Florença do final do século XV, quando praticamente começou o Renascimento, com Lorenzo de Médici e todos aqueles artistas. Naquele ambiente de Leonardo da Vinci e, posteriormente, Michelangelo. O livro dele representava tudo isso”, diz.
Enxergando a obra dentro do contexto de pesquisa e de estudo de história, o deputado teve uma opinião diferente do senso comum sobre Maquiavel. Capez o entendeu como alguém que quis escrever um livro para dar conselhos de sobrevivência a um príncipe.

Legado pessoal
Outro livro que despertou o interesse do deputado foi a biografia deThomas Morus, condenado à decapitação pelo rei Henrique VIII por se recusar a reconhecer a Igreja Anglicana. “É o drama de um homem, a família mandando cartas pedindo para ele se retratar e ele com medo de, ao se retratar, negar a Deus e perder o direito à vida eterna. Então, ele preferiu morrer. Há um conflito entre a convicção de um homem e a sua conveniência.”
Durante a época de faculdade, como não poderia deixar de ser, os livros jurídicos foram os protagonistas das estantes de Capez. Na ocasião, quatro autores chamaram a sua atenção. São eles: Nelson Hungria, Magalhães Noronha, Basileu Garcia e Aníbal Bruno. Mais tarde, a obra do professor Damásio de Jesus também foi importante para seu mergulho em Direito Penal.
Para o deputado, o Direito e a história andam de mãos dadas. “Com o estudo da História, você contextualiza o Direito dentro do período histórico em que ele foi concebido. Uma tese era defendida de acordo com o sistema político vigente.”
Norteado por esse pensamento, Capez teve contato com uma publicação que considerou muito importante e decisiva para sua formação. Leu em espanhol a Teoria de la Accion Finalista, do Hans Welzel. Trata-se de uma obra que noticia o sistema jurídico da Alemanha durante os anos de nazismo e na qual o autor estabelece uma relação entre o regime político e o sistema jurídico. Ele diz: “Você só consegue entender o direito nazista se compreender o regime totalitário”.
O livro traz como exemplo Hans Frank, ministro da Justiça do Reich alemão em 1943, “que permitiu que as mulheres estrangeiras praticassem aborto e mantinha como crime o aborto praticado pelas alemãs porque só se protegia a vida dos bebês alemães. Não se protegia a vida intra-uterina dos futuros bebês estrangeiros”.

Livros jurídicos
O interesse do deputado pelos livros vai muito além do papel de leitor. Com mais de uma dezena obras de Direito sob sua autoria no mercado, ele guarda com especial carinho a lembrança de suas primeiras publicações. Na época, foram taxadas como “loucura e ousadia” e atualmente são parte de seu estilo como escritor. “Eu sacrificava a erudição em benefício da comunicação.” Os resultados foram quadros sinóticos explicativos ao final de cada livro, ou charges, muitas vezes cômicas, para ilustrar os temas mais difíceis. 
Ao ser perguntado sobre os livros de sua autoria que mais gosta, ele cita o volume I da coleção Curso de Direito Penal e o Curso de Processo Penal. O autor conta que “Processo Penal” foi escrito no início de 96. A obra foi publicada em novembro de 97. “Já o “Penal Geral” eu comecei a escrever em 1990 e publiquei em 2000. As aulas foram virando o livro”, diz Capez.
Há também uma apostila de Direito Constitucional escrita por Capez há 20 anos, que figura no hall de seus xodós. “Na época era vendida como xerox (a pessoa comprava apostila com folha de sulfite). Para as pessoas não tirarem xerox, eu fazia com letrinha azul bem clarinha e difícil de ler”, diz. Essa “apostilinha despretensiosa” vai virar um curso de Direito Constitucional simplificado, que deve ser lançado no ano que vem.
Li e recomendo
Ultimamente, o deputado Capez andou se debruçando sobre o livro do professor Zygmunt Bauman, chamado Tempos Líquidos, que traz uma abordagem da sociedade moderna sob o prisma de que ela não é mais sólida, pois muda a todo tempo. “Tal como um líquido jogado sobre uma superfície, ela vai se mexendo. Então, fica difícil você ter uma compreensão duradoura de qualquer fenômeno porque tudo muda muito rapidamente”, afirma ele.
Bauman faz uma análise do mundo globalizado, da tendência principalmente nas grandes cidades, das pessoas se isolarem em universos exclusivos e deixarem de desfrutar os ambientes comuns, públicos. “As pessoas passam a viver em condomínios fechados e não visitam mais as praças públicas e não frequentam os parques. Existem os excluídos, aqueles que jamais terão acesso a estes ambientes fechados e eles neste ambiente também são excluídos porque jamais se colocam nos ambientes públicos.”
A obra faz um paralelo entre este fenômeno e o que está acontecendo nos países desenvolvidos. “Da mesma maneira que não está dando certo nos países desenvolvidos isolar o resto do mundo, não dará certo para essas sociedades fazerem esses microorganismos sociais. Então ele diz, numa conclusão, que jamais uma criança poderá dormir tranquila nos Estados Unidos ou na Europa Ocidental enquanto uma criança estiver vivendo sem dignidade no Afeganistão, no Iraque ou na África.”


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Contando a divertida história baseada em conto de Nicolau Maquiavel, o Circo Tupiniquim narra as venturas e desventuras do casamento

Algo estranho se passava no inferno. O tempo todo, pais de família chegavam sem lenço, sem documento, sem nada. Antes abastados, os maridos que adentravam os portões do sobrenatural eram logo condenados ao fogo eterno, por causa de seus pecados e dívidas impagáveis dos tempos de vida terrena. E de quem era a culpa? Ora, delas, sempre elas, as mulheres, diziam eles. As mulheres eram o problema-mor, as verdadeiras cobras venenosas, que desde os tempos do bom e velho Adão atormentavam os pobres homens e os induziam a tanto desregramento. Por isso, a condenação caberia às mulheres e não aos pobres varões.
Desconfiado e com sua veia investigativa aguçada, o cão dos infernos, que entre alguns nomes carinhosos para os mais íntimos atende também por Belzebu, resolve enviar um de seus homens de confiança, o arquibanqueiro Delfim Merdeles, para viver a grande e talvez suicida aventura do casamento, a fim de desvendar todo o mistério. A história surreal, baseada no conto Belfagor, do florentino Nicolau Maquiavel (1469 - 1527), se transforma numa trama ainda mais hilária com o Circo Tupiniquim, que estreia hoje, 5, na sede do grupo, o espetáculo A Farsa Do Diabo Que Virou Gente, direcionado ao público adulto.
Trabalhando com uma temática universal e ao mesmo tempo sempre atual (o casamento), a trupe do Tupiniquim usa uma linguagem fluida e bem humorada, gerando uma aproximação entre os bonecos e o público, que se identifica com a narrativa e pode dar boas risadas. “A peça fala de inferno, casamento, mas não tem nada de religião. É apenas uma ilustração pra trazer o problema, que é engraçado”, explica o diretor da montagem, Omar Rocha. Segundo ele, houve um cuidado para que o texto, escrito por Oswald Barroso, ganhasse elementos mais atuais, sobretudo na imagem do feminino, já que o texto que serviu de base, escrito por Maquiavel ainda na Idade Média, trazia uma visão atrasada da mulher, envolta em preconceitos e privações. “Tem um pouco de crítica social, mas a gente faz mesmo é uma comédia, sem muito compromisso, que busca o riso”, ressalta o diretor.
O projeto foi vencedor do Edital Das Artes da Secretaria da Cultura do Estado (Secult), em 2010. A história acompanha a trajetória de Delfim Merdeles, que desce à Terra para passar dez anos em um casamento e descobrir se a mulher realmente é a culpada pela decadência dos matrimônios e da sociedade. “Só que ele se apaixona e aí no final tem algumas surpresas”, diz Omar.
No picadeiro, bonecos de mamulengo, teatro de sombras e bonecos de vara interagem com o público, que acompanha de perto e participa do espetáculo. À medida que as cenas vão se sucedendo, a plateia vai girando em torno do espetáculo e algumas pessoas são convidadas a participar da brincadeira. Além disso, música regional ao vivo com zabumba, triângulo e sanfona. Para completar, degustação de vinho junto com o público, em homenagem ao deus Dioniso.
Serviço

A farsa do diabo que queria ser gente


O quê: Espetáculo de teatro de bonecos da companhia

Circo Tupiniquim

Quando: hoje, 5, às 19h, e em todos os sábados de novembro

Onde: Sede do Circo Tupiniquim (CE 040, km 12, na continuação da avenida Washington Soares, entre Eusébio e Aquiraz)
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)Outras informações: 3260 2292/ 8811 6690

Fonte:Opovo